As disciplinas aqui relacionadas foram, originalmente, ministradas pelas Professoras Doutoras, das quais fomos alunas, Dulcília Helena Schroeder Buitoni, Jeanne Marie Machado de Freitas, Maria do Socorro Nóbrega que as desenvolviam, respectivamente, sob o viés do texto jornalístico e da fotografia, da psicanálise e da lingüística saussureana. As professoras Dulcília e Maria do Socorro se aposentaram ao final da década de 90, momento em que comecei a ministrar parte das disciplinas.


Sob a rubrica Língua Portuguesa, os conteúdos das disciplinas se conectavam no esforço de mostrar os sujeitos como seres de linguagem. No entanto, em virtude da conexão não referenciada, em 1999 a Professora Jeanne Marie decidiu estabelecer novos títulos, com os termos Ciências da Linguagem encabeçando-os.


Pensei então, como ainda penso, o quão feliz foi essa escolha e como o nome conduzia os fundamentos do que já desenvolvíamos e prenunciava as possibilidades ainda por pensar.


O quadro de ministrantes contava, então, com a Professora Doutora Rosana de Lima Soares. Com a aposentadoria da Professora Jeanne Marie, ficando eu e a Professora Rosana como responsáveis pelas disciplinas, nós nos incumbimos de uma primeira reorganização em conjunto seqüencial, incorporando novos conteúdos e novas dinâmicas de trabalho.


Recompusemos o projeto didático/pedagógico em 2002 e em 2005, com anuais correções de rumo desde então, sempre assimilando novos recursos técnicos, sempre modalizando uma proposta ideal de base.


Talvez nossas reformas mais incidentes tenham sido, em 2004, o oferecimento de textos digitalizados, com criação de sítio correspondente, e, em 2005, a introdução de páginas Wiki para trabalho com os alunos. Contamos, para esses empreendimentos iniciais, com a inestimável colaboração dos alunos, então orientandos, Andrea Limberto Leite, Eduardo Furtado Leite e Fábio Sasseron.


Este site corresponde a nova recomposição que intervém, sobretudo, no instrumental pedagógico, embora implique reconfiguração didática ou de conteúdo. Para sua construção, em todas as articulações, foi essencial o trabalho de meus orientandos, no momento doutorandos, Eliza Bachega Casadei e Ivan Paganotti.


Há muito tempo queria escrever sobre esses fatos que mostram raízes, débitos e, também, mutações. Como toda escritura, este texto é memória e, como toda e qualquer memória, é registro/reconhecimento.

 

 

A expressão é antiga e eu não saberia dizer como e quando ela começou a ser empregada. Contudo, sua escolha, como rubrica das disciplinas, corresponde, para mim, ao espírito do que ficou conhecido, a partir das colocações de Wittgenstein, como virada lingüística. Corresponde ao momento em que as ciências humanas começaram a dedicar atenção especial a linguagem, considerando-a em seu devido lugar, a saber, como a dimensão de base para todo o potencial que caracteriza nossa humanidade.


A partir desse momento a expressão se fez cada vez mais presente, desde meados do século XX, nas obras de grandes pensadores. Mas, embora a virada como um todo tenha tido suas raízes em trabalhos desenvolvidos no campo da lingüística, a expressão nada mais tinha a ver com a lingüística no sentido estrito do termo. Ela comparecia em obras diferenciadas e agregava campos do saber (como antropologia, história, lógica, psicanálise, psicologia, sociologia etc.) em torno de achados e reflexões a partir do papel da linguagem na constituição do homem, suas comunidades, suas fabulações e, portanto, seus modos de conceber e viver a realidade do mundo.


Das reflexões geradas pelo conjunto de saberes em torno desse eixo, podemos dizer que se tratava, fundamentalmente, da ativação de uma filosofia da linguagem. Nesse caso, é preciso esclarecer que por linguagem se entende uma dimensão que compreende língua e também todas as formas de expressão inscritas ou ainda por se inscrever. Também é necessário anotar que o termo ciências se sustenta enquanto remetido aos procedimentos metodológicos específicos, mantidos por cada campo, ainda que sob o prisma da linguagem, em relação a seu objeto.


No decorrer do tempo, esse conjunto passou a incorporar os achados da biologia, das ciências cognitivas, da neurologia, da paleontologia etc. Para seu desenho e depuração foram fundamentais os conceitos de alteridade, discurso, identidade e sistema, acompanhados de uma genuína revolução quanto ao conceito de representação.


Por outro lado, dentre esses conceitos, enquanto instrumentalização, o de discurso, em suas variadas apropriações, teve um papel central, pois foi trabalhado a partir de sua propriedade básica, ou seja, a articulação das coisas de modo a gerar sentidos orientadores da ação humana, a rigor, a tessitura do mundo.


Uma vez apontados esses conceitos centrais, ao procurarmos novamente uma visão de conjunto, é discernível uma linha central catalisadora que podemos identificar como uma teoria do sujeito enquanto ser de linguagem.


Tendo esses vetores no horizonte, as Ciências da Linguagem se voltam para a compreensão das condições e efeitos dos processos comunicacionais, vale dizer, ao mesmo tempo, para a compreensão das produções midiáticas ao longo do tempo.

 

Mayra Rodrigues Gomes
Dezembro de 2010

 


Ana Claudia Mielki

Andrea Limberto Leite

Daniele Gross

Eduardo Afonso Furtado Leite

Eduardo Paschoal de Sousa

Eliza Bachega Casadei

Felipe da Silva Polydoro

Fernanda Elouise Budag

Ivan Paganotti

Josť Augusto Mendes Lobato

Leandro Carabet

Mariana Della Dea Tavernari

Mariana Duccini Junqueira da Silva

Mariane Harumi Murakami

Nara Lya Cabral Scabin

Paula Pereira Paschoalick

Rafael Duarte Oliveira Venancio

Seane Alves Melo

Thiago Siqueira Venanzoni

Soraia Herrador Costa Lima

GRUPO DE ESTUDOS CIÊNCIAS DA LINGUAGEM (ECA-USP)

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